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Archive for the ‘haja paciência’ Category

Eu já tinha lido esse texto no En Caja Baja, mas a Fernanda Giulietti, minha amiga e colega na Folha, traduziu maravilhosamente bem e colocou no blog interno da editoria de arte. Daí resolvi colocar aqui. Aliás, roubei dela até o título deste post. A Fefa dá ótimos títulos, sempre, inclusive para as matérias que desenha –contrariando um pouco o que diz o texto abaixo. Aproveitem!

Oi! Sou diagramador e você… não é!

Encaremos. É algo universal, e não só relativo a nossa querida profissão. O ser humando ambiciona o que tem e idealiza as coisas que considera fora de seu alcance. E não se resigna à sua existência insignificante. Seja num jogo de segunda divisão, seja durante a Copa, todos temos o carnê de técnico, ou em algum momento de nossas vidas aflora o taxista que todos (TODOS!) temos dentro de nós. Num jornal não íamos ser menos. Porque, admitamos, todos temos um diagramador dentro de nós.

A coisa não deixa de ter sua transcendência e de perto, não tem graça nenhuma. Tanto faz que você seja fotógrafo ou redator. Tanto faz que faça gráficos, ilustrações, ou que seja o cara que reabastece a máquina de café. Todos os que passam por uma tela com o Indesign aberto, opinam. Não conseguem evitar. Aconteceu algo parecido a Ulisses (o grego, não nosso intrépido ilustrador mexicano) quando começaram a tocar as sirenes. Algo entra pelo corpo deles que cresce e cresce, como uma chama. E não se contêm. E falam. Assim, sem mais nem menos, de bobeira, sem pensar. E logo, sem saber muito bem de onde, aparecem mais pessoas, abaixando os óculos para olhar por cima da armação, semicerrando os olhos, com a expressão “espera, que isso eu arrumo no vapt-vupt”. E começam a opinar, todos ao mesmo tempo. Dirá você: como se distingue o pobre diagramador em tão lamentável amontoado? Pois ele costuma ser o que esconde o rosto entre as mãos, ou o que aperta os ocos dos olhos com o polegar o o indicador, não sabemos se para conseguir se concentrar entre tanto barulho ou se pretendendo atravessar o crânio e assim cessar seu estéril sofrimento.

É frustrante comprovar que alguém que você tinha considerado daltônico, pelo modo como combina as próprias roupas, se preocupa tanto com o cromatismo da página. Ou aguentar alguém que chama uma foto horizontal de “paisagem”. É como quando você sobe num barco e logo todo mundo fala de bordo e bombordo, de proa e quilha, e o mastro e tudo é náutico e fascinante. E é só se aproximar de um diagrama e logo já não importa a informação, só importa se o diagrama está compensado, ou se está suficientemente equilibrado. Compensado? Equilibrado? Falamos de informação ou de pressão arterial?

Porque, veja, termos como equilíbrio, compensação, os brancos conceituais, ou os usam alguém que está muito seguro do que diz ou soam como notas dissonantes.

Ou como diria o próprio Marshall McLuhan no imprescindível Annie Hall (filme de Woody Allen) soam “como falácias na sua boca”. É mais, reconheçamos: muitas vezes nos agarramos a esses termos quando já não sabemos o que dizer para que nos deixem um pouquinho em paz. O ruim é que, à força de afastá-los, eles acreditaram, e de bobeira, criamos um monstro, um idiota que não se toca e que opina sobre o que não sabe.

A mim nunca me ocorreu chegar numa editoria e dizer a um redator o que ele tem que colocar no seu título. Bom, minto, há anos o faço com meus companheiros de Esportes, tentando que tratem com benevolência os jogadores de meu Betis nas fichas dos jogos. Nunca me deram bola. E se eles não o fizeram, por que eu deveria fazer o mesmo com os demais? Porque não perca a cara do redator a quem você diz que “não dá pra entender esse texto” ou “que esse título não é suficientemente informativo”. A temperatura cai rápido. O ruído de fundo vai morrendo até que parece que só existem vocês dois no mundo. E muito sério e muito digno, lhe diz mais ou menos que quem escreve é ELE. Sim, e o que lê sou eu. E seguimos sem entender-nos…

Se estes delírios de grandeza ocorrem numa editoria diária, onde a forma é mais ou menos pouco flexível, no mundo dos suplementos entramos em cheio no campo do absurdo. Porque os suplementos levam consigo um acréscimo estético (que eles interpretam como licença para “artistices”) a que não conseguem resistir. Os vemos aí, muito sérios, explicando que o melhor é fazer a página como eles dizem porque assim tudo terá mais força, muito mais impacto. Às vezes você responde: “Fala outra vez, agora sem rir” para ver se estão mesmo falando sério ou se instalaram uma câmera escondida na parede do fundo. Rapidamente, o jormalismo visual lhes possui, e como se de fora de uma viagem astral, se veem pela primeira vez a si mesmos, e não concebem como podiam ser tão cinzas antes e subitamente tudo é genial e todas as ideias são maravilhosas. E os vemos vir pelo corredor com um punhado de fotos, com um sorrisinho estranho, apertando o passo, quase com um trote infantil, como aquele que teve uma ideia genial e quer te contar rápido, não é possível que da editoria dele até a sua vá esquecê-la. E temendo pelo pior você lhe explica o melhor: que sabe que sim, que é um suplemento, mas não um livro de história em quadrinhos. E que a arte é para os artistas, e os touros, para os toureiros. E explica a ele que você não é um artista, que é um simples jornalista que tenta informar, já que está em um jornal, em um suplemento, ou onde te puserem, que para isso é um profissional. Que artista é Ulises (nosso intrépido ilustrador mexicano, não o grego), ou Luis Parejo, intrépido também, ilustrador também e autor da caricatura que encabeça nosso blog, que veem o mundo através de seu próprio prisma e lhes pagam para que compartilhem essa visão conosco. Mas que nós, não. Que nós informamos. Que nós contamos as coisas como são, sem concessões. No seco. Que somos jornalistas. Ainda que muitos custem a crer.

por Javier Vidal, terça, 25 de novembro de 2008

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exactitudes

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O fotógrafo Ari Versluis e o produtor Ellie Uyttenbroek trabalharam juntos nesse projeto incrível. Foram insanos 14 anos documentando pessoas do mesmo grupo social e que tem o mesmo “código de roupas”. O resultado é impressionante. Está no site e virou uma exposição que já esteve em Paris, Londres, Rotterdam, Santiago de Compostela, Munique, Atenas, Nova York e Toronto.

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Um trailer fake dos thundercats feito frame por frame no Photoshop e Adobe Premiere.

O Brad Pitt e o Mel Gibson são o Lion-O. Tem o Hugh Jackman como o Tygra também.  Foram usadas cenas de mais de 10 filmes.

Thundercats, hooooooooo!!!

🙂

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